Todos nós deparamos com lugares que se tornam estreitos em determinado momento

Quando resolvemos sair do lugar estreito

Ocorre um processo semelhante com o corpo

O corpo não gosta de sair, de mudar

São a estreiteza e o desconforto que o convencem de que não existe outra saída

A alma, imoral em sua proposta de desalojamento do corpo

Impõe uma caminhada que para o corpo acaba

Por ser um enfrentamento com uma barreira aparentemente intransponível

O corpo então questiona a sensatez da alma

Os portões do passado se fecham

Os do futuro não estão abertos

E o corpo experimenta a mais temida das sensações - o pânico de se extinguir

Lutar, por sua vez,

É a crença de que poderá fazer do próprio lugar estreito um lugar mais amplo

Se o lugar estreito é poderoso para impor-se como realidade

O que resta é desafiá-lo

Como se a estreiteza fosse externa

E não um processo de relação entre o mundo externo e o interno

Jamais devemos esquecer que o lugar estreito um dia não o foi

Conhecemos esse processo através do nosso nascimento

Em determinado momento

O lugar mais maravilhoso, aconchegante e repleto de nutrientes para o corpo se desenvolver

Se torna estreito

O útero materno deixa de ser amplo

A saída pelas águas a seco é difícil

 Pressupõe uma coragem que só se torna possível se alma e corpo andam de mãos dadas

Saber entregar-se às contrações do lugar estreito rumo ao lugar amplo

É um processo assustador,

avassalador e MÁGICO.

NILTON BONDER EM “A ALMA IMORAL”