Agora, enquanto escrevo, ouço o cd que preparei pra rolar na sua festa. Toca a penúltima faixa, e me dei conta que a música fala de você.
“Cai a tarde, cai a tarde, como sempre, diferente,
Cai a tarde de onde não se sabe,
Pela Farme, sobre a gente, cai a tarde,
Sem parar,
Cai a tarde e tudo parda,
Cai a tarde, a tarde toda
Na velocidade da luz (…)
Consigo ver você assim, agora, como uma tarde, como um dia indo embora, com aquela luz típica de interfase, de transição, aquele cheiro gostoso e urbano do asfalto embaixo do trânsito, dos carros apressados na volta pra casa.
Te vejo assim. Sinto até o gosto da margem da noite, uma espécie de limite áspero, doce, necessário e esperançoso.
Essa é a melhor hora do dia pra mim. A tarde esgotando. Porque é a hora da ânsia, da prova, de se enxergar e ouvir lá dentro:
“O que eu fiz do meu dia? O que será da minha noite?”
É a hora que você sente na pele que existe. A tarde. A tarde indo. Internexo. O gozo difuso daquele peso melancólico-nostálgico que a noção de tempo dá. A tardinha e suas borboletas formigando do baixo ventre do umbigo, se derramando pelas pernas.
Você é essa tarde, que se esgota, que se reenche, esse fim de dia honesto e objetivo. Você não foge de si. Ter você dentro de mim como essa tarde, esse ciclo, já é ser um pouco você. E isso já esgota em mim uma razão pra querer sempre buscar e fazer o melhor.
Foi meu amigo Caê, o mais talentoso dos talentosos que escreveu e me deu no meu aniversário.
Obrigada amigo!
Hoje termino meu dia feliz porque esbarrei com o seu cartão e resolvi me dar de presente de novo o seu presente!
Beijo da
Barrets!